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Festival Guriatã – Palcos da Ancestralidade

Os nomes dos palcos do Festival Guriatã são inspirados na ancestralidade do idealizador do evento, Zé Silva.

No primeiro dia, realizado na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, o palco principal receberá o nome:

✨ “Mestra Ana Maria – A Menina das Três Meninas” ✨

Uma homenagem à avó de Zé Silva, Mestra Ana Maria, que foi mestra de coco no sítio de Queimadas, no município de Brejo dos Santos (CE). Mais tarde, mudou-se para Cajazeiras (PB), onde animava rodas de coco na cozinha de Dona Albertina e do Mestre Antônio do PT, na Rua Romualdo Rolim, no centro da cidade, reunindo vizinhos e amigos.

O ritual era simples e cheio de força: depois de um dia de trabalho lavando roupas no rio, Mestra Ana Maria chamava a comunidade e dava início à brincadeira do coco, transformando o cotidiano em festa e resistência cultural.

O nome do palco também guarda a memória do coco “Menina das Três Meninas”, cantado por Mestra Ana Maria e transmitido de geração em geração até chegar a Zé Silva pela voz de sua mãe:

“Menina das três meninas

Seu Zé, Seu Zé

Todas três eu quero bem

Seu Zé, Seu Zé

Uma mais do que a outra

Seu Zé, Seu Zé

Outra mais do que ninguém

Seu Zé, Seu Zé

E eu plantei cana caiana

E nasceu cana São José

E eu só quero quem me ama

E eu só amo quem me quer

Roda eu Zé, rode eu Seu Zé”

Na Fazenda Coração de Mãe, teremos o palco principal chamado Mestra Felina – Tia Felina, Guardiã das Noites de Coco, em homenagem à bisavó de Zé Silva.

Mestra Felina era natural do sítio Anauá, em Mauriti (CE). Respeitada por todos da região, era carinhosamente conhecida como Tia Felina. Foi com ela que o jovem Antônio Pereira do Nascimento, hoje conhecido como Mestre Antônio do PT, aprendeu a brincar o coco e a cantar a mazuca, em rodas que aconteciam em Mauriti.

As rodas de coco de Mestra Felina não precisavam de instrumentos: bastava a batida dos pés, o canto coletivo e o espírito de comunidade para transformar simples encontros em celebrações repletas de memória e resistência cultural. Ela ensinava não apenas os ritmos e cantos, mas também a importância da transmissão oral, garantindo que o coco continuasse vivo de geração em geração.

Infelizmente, devido ao tempo em que viveu, não existem fotos de Mestra Felina. Sua presença e legado, porém, permanecem vivos nas histórias, nos cantos e na memória daqueles que aprenderam com ela, mantendo acesa a chama do coco e da ancestralidade.

O palco do espaço coberto na fazenda será chamado Mestre Antônio do PT.

Mestre Antônio do PT – Guardião da Memória

Mestre Antônio do PT – Antônio Pereira do Nascimento, nasceu em Mauriti (CE) e vive em Cajazeiras (PB) desde 1958. Hoje, aos 92 anos, é guardião da memória e da força do coco.

Ainda menino, aos 15 anos, brincava quase todas as noites com sua tia, Mestra Felina – bisavó de Zé Silva. Foi com ela que aprendeu a brincar o coco e a cantar a mazuca, em rodas que ecoavam apenas na batida dos pés, sem instrumentos percussivos, mas carregados de ancestralidade.

Mestre Antônio também recorda que Mestra Ana Maria foi a única mestra de coco em Cajazeiras (PB).

Dele, Zé Silva recebeu, pela oralidade, muitos dos cocos entoados por sua bisavó, hoje registrados em áudio e escrita, garantindo a preservação desse repertório precioso.

Entre eles, ecoa um verso simples e profundo, que atravessou gerações:

“Dona veia, dona veia

Deixa teu marido andar

Deixa andar, deixa andar

Que ele um dia vai voltar”

Mestre Antônio é raiz, ponte e memória viva da tradição.